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20 à 22
É o aparecimento dos caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos de
idade no sexo feminino e dos 9 anos no sexo masculino.
Sinonímia
Amadurecimento sexual precoce.
Classificação
1. Forma GnRH-dependente ou puberdade precoce verdadeira ou de origem
central. O mecanismo do amadurecimento sexual é a secreção de esteróides
sexuais devido à ativação precoce do eixo hipotálamo-hipofiso-ovariano.
Também se observa, nesse caso, a ativação do eixo
hipotálamo-hipofiso-somatotrópico com desenvolvimento somático
concomitante.
2. Forma GnRH-independente. A secreção de esteróides sexuais não é
devido à ativação precoce do eixo hipotálamo-hipofiso-ovariano. Essa
forma compreende a pseudopuberdade precoce ou puberdade precoce
periférica, a telarca precoce e a pubarca precoce.
Na pseudopuberdade precoce é preciso distinguir as variedades isossexual
e heterossexual, conforme haja concordância ou não com o sexo da criança
afetada, respectivamente.
Epidemiologia
Considerando que prevalência é a porcentagem da população que tem uma
doença em determinado momento, a prevalência da puberdade precoce é
baixa. Pode haver história familiar.
Os riscos de problemas emocionais, de gravidez indesejada e de baixa
estatura decorrentes do desenvolvimento somático e sexual estão
aumentados principalmente na vigência da ativação hipotalâmica.
Etiopatogenia
O mecanismo básico da puberdade precoce é o aumento do nível de
hormônios sexuais circulantes.
Quando há ativação hipotalâmica o amadurecimento sexual é acompanhado do
desenvolvimento somático, ou seja, a seqüência neuroendócrina puberal é
obedecida. Inicialmente ocorre o estirão puberal e, na seqüência, a
telarca, a pubarca e a menarca. É observado o padrão do desenvolvimento
fisiológico da puberdade. Um número significativo desses casos é de
natureza idiopática, ou seja, de origem desconhecida, mas foi descrita
em muitos casos a associação com hidrocefalia, epilepsia, traumatismo
craniano, cirurgia cerebral, encefalite, abscesso cerebral, irradiação
cefálica e a síndrome de McCune Albright (manchas café-com-leite,
displasia óssea e puberdade precoce). Essa síndrome é uma doença rara
causada por uma mutação ativadora da unidade alfa da proteína Gs(3).
Alguns hamartomas hipotalâmicos contêm tecido nervoso em localização
heterotópica, às vezes somente células astrogliais, que expressam o
fator de crescimento transformador (TGF alfa e beta) capaz de atuar no
hipotálamo, ativando a secreção de GnRH. Quando sintomáticos podem
determinar a associação entre epilepsia e puberdade precoce(7).
A existência de casos familiares indica a possibilidade de transmissão
de gene mutante capaz de ativar precocemente o desenvolvimento puberal.
Quando não há a ativação primária do hipotálamo, também não ocorre o
desenvolvimento somático ou estirão puberal correspondente de modo
pleno, embora possa haver, por exemplo, a aceleração da maturação óssea
desencadeada pelo esteróide sexual. Instala-se, nesses casos, de modo
isolado, a telarca ou a pubarca precoce, acompanhados de uma idade óssea
aumentada para a idade cronológica.
A telarca precoce afeta com maior freqüência meninas mais jovens do que
dois anos de idade que apresentam uma resposta exagerada ao GnRH em
termos de FSH.
A puberdade precoce apresenta, além da telarca precoce, estatura inicial
mais elevada, aceleração do crescimento e da idade óssea, volumes
ovariano e uterino maiores, picos espontâneos mais elevados do LH e
resposta mais acentuada ao GnRH em termos do LH e da relação LH/FSH(4).
Xenoestrógenos e pesticidas organoclorados podem induzir puberdade
precoce através de modificação do metabolismo estrogênico ou de
competição com o estradiol no receptor estrogênico(2). Aparentemente, o
elevado teor de fitoestrógenos encontrados em crianças alimentadas com
derivados da soja não determina distúrbios evolutivos(5).
Na hipótese de sangramento uterino como manifestação isolada, o termo
adequado é pseudomenarca precoce. No hipotireoidismo primário, o aumento
da secreção do TRH que libera PRL e TSH e que apresenta discretos
efeitos FSH e LH-símile foram descritos galactorréia e pseudomenarca,
associadas ou isoladas. A hiperplasia supra-renal congênita, a ingestão
ou absorção de hormônios (por exemplo, pílulas contraceptivas ou
alimentos contendo estrógeno) e neoplasias do córtex supra-renal são
outras possibilidades de pseudopuberdade precoce.
As neoplasias funcionantes do córtex supra-renal em crianças são raras.
Há um pico de incidência na primeira década, são predominantemente
unilaterais e mais comuns em meninas. A maioria é benigna, mas tanto
lesões benignas como malignas podem apresentar-se com virilização ou com
sintomas cushingoides. As neoplasias malignas têm mau prognóstico
especialmente se a ressecção for incompleta mesmo após a quimioterapia e
radioterapia adjuvante. O volume tumoral não é um fator preditivo
individual de malignidade(11).
Diagnóstico
Anamnese - Deve-se atentar para a presença de amadurecimento sexual
precoce completo ou parcial (telarca ou pubarca); sintomas sugestivos de
comprometimento do sistema nervoso central, por exemplo, mudança de
personalidade, cefaléias ou sintomas visuais (traumatismo craniano,
encefalite, abscesso cerebral, toxoplasmose, sífilis, antecedente de
hidrocefalia, epilepsia, irradiação cefálica); presença de sinais da
síndrome de McCune Albright (manchas café-com-leite, displasia óssea);
hipotireoidismo primário, hiperplasia supra-renal congênita; história
familiar; ingestão ou absorção de hormônios (por exemplo, pílulas
contraceptivas ou alimentos contendo estrógeno).
Exames complementares - As dosagens mais importantes são FSH, LH,
prolactina, TSH, T4 livre, estradiol, androstenediona, testosterona,
alopregnanolona e sulfato de deidroepiandrosterona.
Em meninas com puberdade precoce central em tratamento de supressão
gonadal e supra-renal, verifica-se que os níveis do sulfato de
deidroepiandrosterona se elevam progressivamente durante a infância, em
média 22% por ano. Não há associação do peso ou índice de massa corporal
e os níveis do sulfato de deidroepiandrosterona. Todavia há uma
associação discreta com a altura e a velocidade do crescimento.
Portanto, a adrenarca é o resultado de um processo de amadurecimento
gradual que se inicia precocemente na infância(10).
A alopregnanolona, hormônio esteróide neuroativo envolvido na modulação
das funções comportamentais, no estresse e no eixo neuroendócrino,
aumenta significativamente na puberdade precoce de origem central. Esse
aumento é compatível com o estádio de desenvolvimento puberal sendo de
origem supra-renal e ovariana(6).
O diagnóstico de tumor supra-renal é feito pela ultra-sonografia,
tomografia computadorizada ou pela ressonância magnética das lojas
renais(1).
Sempre realizar a ultra-sonografia abdominal e pélvica, que permitirá
estudar os ovários.
Na puberdade precoce de origem central é importante realizar uma
ressonância magnética do crânio.
Na adrenarca precoce, há maior mineralização óssea. Os fatores
implicados são estradiol, andrógenos e IGF-1(13).
Tratamento
O tratamento mais utilizado na atualidade é fundamentado nos análogos do
GnRH (GnRHa). Por exemplo, o acetato de leuprorelina é um peptídeo
sintético agonista do GnRH, inativo por via oral e administrado por via
muscular ou subcutânea na forma de depósito. Sua administração
continuada determina a supressão da liberação de gonadotropinas e
conseqüentemente na castração farmacológica. A dose habitual é de 3,75
mg na forma depósito em uma aplicação muscular mensal(12).
Mas, o tratamento com GnRHa é controverso porque a melhora da altura
final é equívoca e pode haver aumento do risco de obesidade. A
comparação entre crianças que usaram o GnRHa e crianças que evoluíram
espontaneamente mostra que aquelas tratadas atingem os estádios Tanner 4
e 5 numa idade posterior, e que há retardo da menarca (12,8 m/m 0,6 ano
contra 10,8 m/m 0,5 ano). No entanto, essa diferença não alterou o
crescimento puberal total e a velocidade da maturação óssea. O ganho foi
similar em termos de altura final e idade óssea. As crianças tratadas
tiveram maior ganho de peso durante o tratamento, mas esse ganho cessou
com a descontinuação do tratamento, de modo que o índice de massa
corporal final foi semelhante nos dois grupos. A conclusão foi de que o
GnRHa apenas influenciou a velocidade do amadurecimento puberal. Esse
fato indica que o crescimento puberal total não é dependente da duração
da puberdade, mas provavelmente predeterminada no início do
desenvolvimento puberal. Portanto, a única indicação do GnRHa parece ser
em meninas que apresentam dificuldades psicossociais em relação à
puberdade precoce(9).
Outros trabalhos demonstram que a altura final é maior em crianças
tratadas antes da idade de 8 anos (meninas) ou 9 anos (meninos). Quanto
maior a duração e menores as idades cronológica e óssea inicial do
tratamento, maior a altura final(8).
O tratamento com GnRHa não parece afetar o pico de massa óssea dos
indivíduos tratados anteriormente de puberdade precoce central(14). |
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Bibliografia |
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