Dr. Carlos Antônio da Costa
   Rio de Janeiro - RJ - Brasil.                           
 
          Esta página integra o Departamento de Sexualidade Feminina de GO com ponto e tem por objetivo repercutir notícias, artigos, links, opiniões e conjecturas acadêmicas pertinentes ao escopo deste Departamento. "Percepções e Reflexões" tem como público alvo médicos especialistas em G&O.                                 Escrito e editado pelo Dr. Carlos Antônio da Costa.
 
Última atualização: 28.01.2017 - 08:51  
28.01.2017 - OMGYes
       OMGYes – abreviatura “Oh! My God, yes!” – ensina às mulheres, de maneira didática, como alcançar e/ou intensificar o orgasmo. https://www.omgyes.com/pt/
08.06.2015 - “VIAGRA FEMININO”: TERAPIA ARRISCADA, APELIDO DESASTROSO.


        No último dia quatro de junho de 2015, os conselheiros do Food and Drug Administration (FDA) – órgão governamental dos Estados Unidos da América, responsável pelo controle dos alimentos e medicamentos -, recomendaram – com ressalvas, por 18 votos a favor e 6 contra – a aprovação da substância flibanserina, supostamente indicada para o tratamento do distúrbio do desejo sexual hipoativo (sigla em inglês, SHDD), em mulheres na pré-menopausa. O distúrbio do desejo sexual hipoativo é definido como “deficiência ou ausência – persistente ou recorrente - de fantasias sexuais e falta de desejo para as relações sexuais, marcada pela angústia e dificuldades no relacionamento interpessoal”.

       Desastrosamente apelidada pela mídia americana de “viagra feminino”, a flibanserina em nada se assemelha aos medicamentos utilizados pelos homens com disfunção erétil. Os efeitos dos “viagra-similes” se iniciam quarenta e cinco minutos após a tomada. A flibanserina precisa ser ingerida diariamente para que seu efeito seja notado após quatro semanas (!). A ação dessa droga, nos neurotransmissores cerebrais, é cumulativa e não instantânea, sendo máxima após oito semanas de uso contínuo.

       Os conselheiros do FDA manifestaram preocupações quanto à segurança da droga. Todos aqueles que votaram a favor da recomendação alertaram o fabricante sobre a necessidade de  desenvolver um programa para reduzir os riscos da droga, que incluem queda súbita da pressão arterial (com desmaios), náuseas, insônia, tontura, cansaço, boca seca e ansiedade. A interação com o álcool e outros medicamentos (pílulas anticoncepcionais) precisa ser melhor estudada.

       A eficácia dessa substância também é questionável. O aumento no número de relações sexuais satisfatórias mensais é pequeno, quando comparado ao uso do placebo (4.4 contra 3.7 respectivamente). Acredita-se que apenas uma entre dez mulheres na pré-menopausa (portanto, com idades que variam entre quarenta e cinquenta anos) será beneficiada por esse medicamento.

       Algumas entidades americanas, como a National Women’s Health Network, são absolutamente contra a aprovação (prematura) da flibanserina para remediar o desejo sexual hipoativo em mulheres na pré-menopausa.

       Uma nova reunião dos conselheiros do FDA está marcada para o próximo dia 18 de agosto, na qual será decidida a aprovação – ou não – da comercialização dessa substância nos Estados Unidos.

       A responsabilidade do Drug Safety and Risk Management (DSaRM) Advisory Committee do FDA, naquela data, será muito grande:

       A aprovação da flibansterida - se acontecer - terá enormes repercussões na mídia global, forçando os médicos – ditos modernos, antenados e atualizados – a prescrever uma droga sobre a qual sabem muito pouco. Uma legião de mulheres, com menos de trinta e cinco anos de idade e iludidas pelo apelido de “viagra feminino”, pedirão uma receita aos seus ginecologistas, acreditando que a falta de desejo sexual (tesão) que sentem, poderá ser curada instantaneamente com um simples comprimido.

       Mulheres na pré-menopausa serão manipuladas pela indústria farmacêutica (via multimídia – jornais, revistas, TV, tablets, PCs, celulares, etc.) a consumir “Addyi” (nome proposto pelo laboratório “Sprout Pharmaceuticals” para venda da flibansterida nos Estados Unidos). Elas só despertarão para a realidade depois de muitos meses comprando (a preços altos) caixas e mais caixas de Addyi, sem obterem o resultado esperado; esquecendo-se de que os sentimentos e a atração sexual, entre homens e mulheres, não podem ser fabricados artificialmente.

 
10.08.2010 - DISFUNÇÃO SEXUAL NA PÓS-MENOPAUSA:


        Nessa etapa da existência feminina, os fatores biológicos, psicológicos e sociais alcançam uma importância significativa como desencadeantes ou agravantes de disfunções sexuais. O hipoestro- genismo - com o seu séquito de sintomas genitais e sistêmicos -, as comorbidades, a diminuição da auto-estima diante do envelhecimento, os hábitos de vida e o relacionamento com o parceiro são tópicos a serem investigados na anamnese de uma paciente que apresenta queixas sexuais na pós-menopausa.
       Al Azzawi-F et al. fizeram uma excelente revisão sobre este assunto, publicando-a na revista Climateric, de abril de 2010, sob o título "Therapeutic options for postmenopausal female sexual dysfunction". Segundo estes autores, o tratamento psico-sexual não-medicamentoso, com foco no estilo de vida, deverá ser utilizado em primeiro lugar. No caso de ser necessário um tratamento medicamentoso, o médico assistente pode lançar mão de diversos recursos como a terapêutica hormonal (estrogênios, testosterona, estro-testosterona, dehidroepi-androsterona e tibolona) e os antidepressivos..
       Refletindo: Masters e Johnson, através de suas pesquisas, reconheceram que não há limite de idade para a prática do comportamento sexual. Nas palavras de Mira y López: "A vida sexual transforma-se constantemente ao longo de toda a evolução individual, porém só desaparece com a morte." Se lembramos que, para homens e mulheres, "o órgão sexual mais importante é o cérebro", e que sexualidade feminina transcende a genitalidade devemos ter muito critério na avaliação clínica de nossas paciente, pois somente com esse cuidado poderemos lhes oferecer o tratamento mais adequado. A prescrição de androgênios tem indicação precisa.
         Referência: "Care of women in menopause: sexual function, dysfunction and therapeutic modalities" - Ann Acad Med Singapore. 2008 Mar;37(3):215-23. Mattar CN, Chong YS, Su LL, Agarwal AA, Wong PC, Choolani M. Department of Obstetrics and Gynaecology, National University Hospital, Singapore.

 
10.08.2010 - 13º CONGRESSO MUNDIAL DE MEDICINA SEXUAL:

        Entre os dias 14 e 17 de novembro próximo, em Málaga, Espanha, acontecerá o 13º Congresso da Sociedade Europeia de Medicina Sexual. Entre os tópicos de Saúde Sexual Feminina que serão abordados nas mesas redondas estão: a demografia das disfunções sexuais femininas (DSF) ao longo do ciclo reprodutivo; o grau de importância que o tédio e a angústia possuem como fatores influentes e preditores na prevalência da DSF; menopausa e sexualidade; a sexualidade da mulher idosa; o orgasmo feminino como uma capacidade adquirida pelo aprendizado; pré-requisitos para o orgasmo feminino; imagens funcionais do cérebro durante o orgasmo feminino; avaliação periférica das mulheres orgásticas; significado clínico do orgasmo vaginal e não-vaginal; o paradigma biopsicológico das diferenças de gênero; a epigenética das diferenças sexuais no cérebro; a diferença entre os sexos na especificidade da resposta sexual; a sexualidade como uma questão familiar do casal infértil; ecologia sexual e o relógio biológico do casal infértil.
       Refletindo: Em que período da vida da mulher as disfunções sexuais são mais frequentes? Na adolescência, no menacme, na perimenomausa ou na pós-menopausa? O modelo sequencial e linear da resposta sexual (desejo, excitação, orgasmo) é estritamente masculino, dada a associação entre desejo / excitação / ereção / orgasmo / ejaculação / reprodução. A resposta sexual feminina está mais próxima de um modelo circular, como explicado por Rosemary Basson. Pela progamação divulgada, novos paradigmas serão fixados para a sexualidade da mulher.

 
10.08.2010 - CUIDADO COM OS ANDROGÊNIOS(!):

        Rosemary Basson e cols., em junho de 2010, publicou um artigo na revista Menopause intitulado Role of androgens in women's sexual dysfunction, no qual não houve confirmação de que as mulheres com transtorno do desejo sexual hipoativo (hypoactive sexual desire disorder ou HSDD) tenham um nível de testosterona plasmática diminuido. Os pesquisadores advertem que "devido aos efeitos desconhecidos da suplementação de testosterona a longo prazo, mulheres que recebem terapia com testosterona devem ser informadas de que um déficit de actividade da testosterona em mulheres com HSDD não foi identificado".
       Refletindo: Esta pesquisa corrobora o modelo circular da resposta sexual feminina, proposto pela própria Basson, no qual o desejo sexual resulta da interação de diversos fatores, inúmeros e complexos mecanismos, situados além dos níveis plasmáticos de testosterona.

 
10.08.2010 - 20º Congresso da WAS:

        Entre os dias 12 e 16 de junho de 2011, em Glasgow, Escócia, acontecerá o 20º Congresso Mundial da Associação Mundial para a Saúde Sexual (WAS). Entre os assuntos a serem tratados, estão: transtorno de identidade de gênero sob a perspectiva dos direitos humanos; câncer e sexualidade / função sexual; tratamento farmacológico do transtorno do desejo sexual hipoativo entre mulheres; casais do mesmo sexo: questões de parentesco, reprodutivas, de fertilidade e sobre adopção; gravidez na adolescência: nos hemisférios norte e sul; circuncisão e prevenção do HIV; sexualidade e morte: cuidados paliativos, a questão da eutanásia no fim da vida; sexualidade e as questões sexuais entre pessoas com necessidades especiais; sexualidade na velhice; violência sexual; tráfico sexual e tráfico de escravos; modificações corporais; estudos sobre os resultados do tratamento para disfunção sexual (terapia psico-sexual); etc.