Dr. Carlos Antônio da Costa
   Rio de Janeiro - RJ - Brasil.                           
 
          Esta página integra o Departamento de Gravidez e Parto de GO com ponto e tem por objetivo repercutir notícias, artigos, links, opiniões e conjecturas acadêmicas pertinentes ao escopo deste Departamento. "Percepções e Reflexões" tem como público alvo médicos especialistas em G&O.                                 Escrito e editado pelo Dr. Carlos Antônio da Costa.
 
Última atualização: 12.03.2011 - 11:45 AM  
12.03.2011 - IATROGENIA, MORTALIDADE MATERNA E PERINATAL. ATÉ QUANDO?
         O enema e a tricotomia ainda são práticas rotineiras na admissão da parturiente em muitas maternidades brasileiras, apesar de serem consideradas como "claramente prejudiciais ou inefica- zes" para o desfecho exitoso do parto normal. Outras práticas, como a episiotomia indiscriminada, o controle da dor por agentes sistêmicos, a restrição líquida ou alimentar durante o trabalho de parto, entre outras, são "frequentemente utilizadas de modo inadequado". A Organização Mundial de Saúde (OMS)entende como aceitáveis taxas de mortalidade materna de até 10:100.000 e perinatal até 5:100.000. No Brasil, segundo o relatório - de 2005 - do Ministério da Saúde, são respectivamente 54,3 e 15,7.
        O guia da OMS que classifica as práticas no parto normal, publicado em 1997, precisa ser relido e aplicado em todas as maternidades brasileiras, sob pena de continuarmos apresentando taxas inaceitáveis de mortalidade materna e perinatal.
 
23.11.2010 - NOVO GUIDELINE DO CDC

           O Center for Disease Control and Prevention (CDC) publicou, no dia 19 de novembro de 2010, uma revisão do "guideline" para prevenção da sepse neonatal precoce pelo estreptococo do grupo B (EGB). Baseada em evidências, esta publicação contou com a participação diversas associações profissionais como American Academy of Family Physicians, American Academy of Pediatrics, American College of Nurse-Midwives, American College of Obstetricians and Gynecologists e American Society for Microbiology. Clique aqui para acessar o 2010 Guidelines for the Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease.

 
28.08.2010 - PARTO PREMATURO - PREVENÇÃO PRIMÁRIA
        A prevenção primária do parto prematuro inicia-se antes mesmo que a gravidez ocorra, por meio da análise dos fatores de risco. Quando a prevenção pré-concepcional não for possível - o que é a regra -, a anamnese atenta, na primeira consulta pré-natal, poderá surpreender outros fatores que estão epidemiologicamente associados ao parto que se inicia antes da 37ª semana. Abaixo, apresen- tamos os fatores de risco para o parto prematuro:

     Antecedentes obstétricos e ginecológicos:

  1. Parto prematuro anterior.
  2. Cirurgia cervical (conização).
  3. Múltiplas dilatações e curetagens.
  4. Malformações uterinas.
  5. Miomas.

     Antecedentes demográficos:

  1. Idade < 17 e  >35 anos.
  2. Baixo nível de escolaridade.
  3. Solteira.
  4. Baixo nível socioeconômico.
  5. Intervalo interpartal menor que 6 meses.
  6. Dificuldade de acesso à assistência médica.

     Antecedentes nutricionais e atividade física:

  1. Índice de massa corporal < 19 (ou peso pré-gestacional < 50 kg).
  2. Status nutricional precário.
  3. Longas jornadas de trabalho ( > 80 horas semanais).
  4. Trabalho braçal pesado (longos períodos de pé).

     Características da gestação atual:

  1. Reprodução assistida (FIV).
  2. Gestação múltipla.
  3. Doença fetal (aneuploidia, crescimento restrito, malformações).
  4. Sangramento vaginal (no primeiro ou segundo trimestres, placenta prévia, DPP).
  5. Poli ou oligohidrâminio.
  6. Doenças maternas (hipertensão, diabetes, tireoidopatias, asma, etc.).
  7. Cirurgia materna abdominal.
  8. Distúrbios psicológicos (estresse, depressão).
  9. Hábitos (fumo, álcool, cocaína, crack, heroína).
  10. Infecções (vaginose bacteriana, trocomoníase, clamídia, gonorréia, sífilis, ITU, bacteriúria assintomática, viroses, endometrite).
  11. Comprimento cervical diminuído entre 14 e 28 semanas.
  12. Fibronectina positiva entre 22 e 34 semanas.
  13. Contrações uterinas.

Referência: "Preterm Birth: Prevention and Management" - Editor Vincenzo Berghella - Editora John Wiley and Sons, 2010.