Dr. Carlos Antônio da Costa
   Rio de Janeiro - RJ - Brasil.                           
 
          Esta página integra o Departamento de Adolescência Feminina de GO com ponto e tem por objetivo repercutir notícias, artigos, links, opiniões e conjecturas acadêmicas pertinentes ao escopo deste Departamento. "Percepções e Reflexões" tem como público alvo médicos especialistas em G&O.                                 Escrito e editado pelo Dr. Carlos Antônio da Costa.
 
Última atualização: 02.06.2010 - 10:05  
02.06.2010 - NOVAS TECNOLOGIAS CONTRACEPTIVAS..

        No último Congresso Mundial de Ginecologia Pediátrica e da Adolescência, a Dra. Régine L. Sitruk-Ware, Diretora Executiva de P&D do Population Council’s Center of Biomedical Research, falou das novas tecnologias de contraceptivos na adolescência, salientando que uma das pesquisas visa melhorar os métodos de contracepção de longo prazo, em particular um anel vaginal contendo etinilestradiol e nesterona que pode ser usado por um ano. O anel seria retirado a cada três semanas e reinserido após um intervalo de uma semana. Numa linha, há pesquisas sobre miniDIUS medicados que liberariam 14 µg levonorgestrel a cada 24 horas. As novas pílulas são aquelas que contêm um estrógeno natural (estradiol ou valerato de estradiol ) associado aos novos progestógenos como a nestorona, que possui propriedades regeneradoras da bainha de mielina (podendo ser benéfica na esclerose múltipla) ou o dienogest, que tem características anti-androgênicas.

 
02.06.2010 - ANTICONCEPÇÃO NA ADOLESCÊNCIA E MASSA ÓSSEA.
       Ainda nesse Congresso Mundial, o Dr. D'Arcangues, da Suíça, falou sobre a influência dos contraceptivos sobre a massa óssea. Segundo aquele pesquisador, os implantes, o anel vaginal e o DIU Mirena não têm influência sobre a DMO. O uso dos injetáveis com acetato de medroxiprogesterona, parece estar associado com um número maior de fraturas. Os contraceptivos orais combinados, com mais de 30µg de etiniestradiol não afetam a densidade óssea, enquanto as pílulas de baixa dose (20µg) e ultrabaixa dose (15µg) parecem diminuir ligeiramente a DMO.
 
29.05.2010 - CONGRESSO MUNDIAL.

      O 16º Congresso Mundial de Ginecologia Pediátrica e da Adolescência aconteceu entre os dias 22 e 25 de maio, na cidade francesa de Montpellier – a cidade na qual foi fundada a mais antiga faculdade de medicina do mundo ocidental. Estiveram presentes cerca de 800 participantes de diversos países.
      Preocupado com a possibilidade de novo apagão aéreo na Europa – por causa daquele vulcão na Islândia, o Eyjafjallajokull –, eu decidi não ir ao congresso. Apesar disso, analisei cuidadosamente a programação científica e, por esse motivo, não posso deixar de elogiar a comissão organizadora pelo fato de ter dividido a pauta de assuntos em três tipos de abordagem: a clínica (diagnóstico e tratamento), recentes progressos e temas de saúde pública.
      Sob a ótica clínica, foram debatidas matérias como: doenças benignas das mamas, distúrbios alimentares (obesidade, bulimia, anorexia), amenorréia e puberdade tardia, distúrbios do desenvolvimento sexual, síndrome de Turner, dor pélvica crônica, diagnóstico e tratamento das anomalias congênitas do trato genital feminino, transexualismo na adolescência, a insulino-resistência em meninas com síndrome dos ovários policísticos, menorragia pós-menarca, contracepção hormonal na adolescência: administrações não-usuais, recomendações éticas na condução dos casos de distúrbios do desenvolvimento sexual na infância e conduta diagnóstica na amenorreia hipotalâmica e distúrbios endócrinos na atleta adolescente.
     Entre os temas que compõem os “recentes progressos” estavam: genética molecular e desenvol- vimento ovariano, história natural da infecção pelo HPV em meninas adolescentes, diagnóstico e conduta nos cistos ovarianos no neonato e na criança, avanços em contracepção oral, a preservação da fertilidade em crianças sobreviventes do câncer, criopreservação e transplante do tecido ovariano, transplante de útero: de quem e como; das células tronco aos gametas, os genes SF1 e WnT4 e o ovário.
      A pauta de matérias de saúde pública incluiu: a gravidez na adolescência no mundo, comporta- mento sexual de alto risco, contracepção na adolescência, educação sexual e abuso sexual. Além destas, serão proferidas conferências sobre contracepção de emergência, distúrbios do ciclo menstrual, sexualidade na adolescência e a puberdade vista por uma perspectiva evolucionária.