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Página inicial Dr. Carlos Antônio da Costa
Artigos de divulgação científica em ginecologia, escritos pelo
Dr. Carlos Antônio da Costa
TEGO 035/79
ANO IV - NÚMERO 40 - JULHO DE 2006. ÚLTIMA REVISÃO: JUNHO DE 2009.

AIDS: QUASE TRÊS DÉCADAS DEPOIS...

           De acordo com o relatório da UNAIDS / 2008, são os seguintes os números das estatísticas globais:

  ESTIMATIVA VARIAÇÃO
Pessoas vivendo com HIV/AIDS em 2007.

33,0 milhões

30,3 - 36,1 milhões
Adultos vivendo com HIV/AIDS em 2007.

30,8 milhões

28,2 - 34,0 milhões
Mulheres vivendo com HIV/AIDS em 2007. 15,5 milhões 14,2 - 16,9 milhões
Crianças vivendo com HIV/AIDS em 2007. 2,0 milhões 1,9 - 2,3 milhões
Novas infecções pelo HIV em 2007. 2,7 milhões 2,2 - 3,2 milhões
Novas infecções, em crianças, pelo HIV em 2007. 0,37 milhões 0,33 - 0,41 milhões
Número de mortes por AIDS em 2007. 2,0 milhões 1,8 - 2,3 milhões
Número de mortes de crianças por AIDS em 2007. 0,27 milhões 0,25 - 0,29 milhões
Mais de 25 milhões de pessoas morreram de AIDS desde 1981.
A África possui 11,6 milões de órfãos da AIDS.
Até o final de 2007, as mulheres totalizavam 50% dos adultos que vivem com AIDS em todo o mundo. Na África Subsaariana, 59% das mulheres têm AIDS.
Metade dos novos casos de AIDS ocorreram entre jovens com menos de 25 anos.

Apenas 31% dos doentes de AIDS que vivem em países subdesenvolvidos recebem medicamentos contra o vírus. Dos 9.7 milhões de pessoas nessa situação, somente 2.99 milhões estão sendo medicadas.

        O registro dos primeiros casos do que hoje conhecemos como Síndrome da Imuno-Deficiência Adquirida - Acquired Immuno Deficiency Syndrome (AIDS) – ocorreu em junho de 1981. O alerta inicial estava num relatório, publicado pelo Centro de Controle de Doenças de Atlanta (Estados Unidos), no qual eram descritos cinco casos de uma rara pneumonia, causada por um fungo (Pneumocistis carinni). Os pacientes, cujas idades variavam de 29 a 36 anos foram internados em diferentes hospitais da cidade de Los Angeles, entre maio de 1980 e maio de 1981, e mostravam-se  imunologicamente debilitados. Dois deles faleceram nesse período. No relatório, uma intrigante coincidência chamava a atenção dos médicos e das autoridades sanitárias: os cinco pacientes eram homossexuais.

       Como uma bola de neve, que se avoluma ladeira abaixo, números crescentes de casos fatais da misteriosa doença foram relatados em diversos países nos meses seguintes; mas, somente em 1984, o vírus HIV foi identificado como o agente causador daquela que seria a segunda maior pandemia dos últimos cem anos – em termos de mortalidade, superada apenas pela “gripe espanhola” que, entre os anos de 1918 e 1919, matou aproximadamente 30 milhões de pessoas ao redor do mundo.

        As últimas pesquisas – Revista Science, de 25 de maio de 2006 – confirmam que o HIV seria uma variante genética de um vírus (simian immunodeficiency virus ou SIV) que causa a imunodeficiência em símios africanos. Ultrapassando a barreira das espécies, um mutante do SIV teria infectado seres humanos e, a partir da África – com escala em Los Angeles -, dispersado-se por todos os continentes, trazendo consigo o estigma da morte.

       No Brasil - apesar da fragilidade de nossos dados estatísticos -, desde a identificação do primeiro caso até junho de 2007, foram notificadas cerca de 474 mil ocorrências da doença.  Acredita-se que, em nosso país, mais de 600 mil pessoas são soropositivas e que dois terços destas (400 mil) desconheçam a sua situação de portadoras. Calcula-se que, desde 1998, cerca de 11 mil brasileiros e brasileiras morram de AIDS todos os anos. Até junho de 2006, o país havia acumulado 192 mil óbitos devidos à doença.

       Os principais atingidos pela infecção estão entre os usuários de drogas injetáveis (UDI), gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH). Entretanto, a partir de 1990, a transmissão heterossexual passou a ser a principal via de contágio. Em meados da década de 80 a relação entre o número de homens e o de mulheres soropositivos era de 25 para 1; hoje, é de 2 para 1. O maior contingente de mulheres infectadas situa-se na faixa etária que vai dos 25 aos 34 anos de idade; ou seja, mulheres em plena fase reprodutiva que, se engravidam,  podem transmitir o HIV – na gestação, no trabalho de parto, no parto ou durante o aleitamento – para os filhos. Atualmente, no Brasil, 87% dos casos de AIDS em menores de 13 anos de idade, têm como ponto de partida esse tipo de transmissão.

       Apesar dos números ainda serem assustadores, fizemos alguns progressos - no que diz respeito à prevenção e ao controle da doença - nessas quase três décadas: as transfusões de sangue tornaram-se mais seguras;  houve uma maior conscientização, por parte dos homens e das mulheres, sobre a necessidade do uso do preservativo no chamado “sexo casual”; o diagnóstico precoce (primeira consulta pré-natal) e a administração de antirretrovirais às gestantes e parturientes portadoras podem reduzir de 20 para 1% a possibilidade de transmissão vertical... O programa do governo brasileiro de combate à AIDS, somado às ações das ONGs que se preocupam com o problema, estão conseguindo diminuir (estabilizar) o avanço da epidemia em nosso país.

       A maior esperança em relação à AIDS diz respeito à criação de uma vacina contra o HIV. Mais de duzentas vacinas já foram desenvolvidas, porém nenhuma das testadas foi capaz de garantir proteção contra o vírus. A principal dificuldade no desenvolvimento de uma vacina está no fato do HIV apresentar mutações frequentes. Enquanto a vacina permanecer como uma miragem no horizonte médico-científico mundial, o caminho mais eficaz para diminuirmos o número de novos casos continuará sendo evitar o contágio. USE SEMPRE A CAMISINHA!!!  

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      Para saber mais sobre este assuunto:

  Boletim Epidemiológico AIDS - Ano V nº 1 - julho a dezembro de 2007/janeiro a junho de 2008 - Ministério da Saúde - Brasil.

   Tendência da incidência e da mortalidade por aids em mulheres na transição menopausal e pós-menopausa no Brasil, 1996-2005 - Elaine Cristina Alves Pereira e cols. - Revista da Associação Médica Brasileira, vol.54 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2008.

   Infecção pelo HIV entre gestantes atendidas nos centros de testagem e aconselhamento em Aids - Antônio José Costa Cardoso et al. - Revista de Saúde Pública, v.41 supl.2 São Paulo dez. 2007.

   Tendências da epidemia de AIDS entre subgrupos sob maior risco no Brasil, 1980-2004 - Aristides Barbosa Júnior et al. - Cadernos de Saúde Pública, vol.25 no.4 Rio de Janeiro Apr. 2009.

   Carga viral vaginal de HIV em mulheres brasileiras infectadas pelo HIV - Angela Campos et al. - Revista da Associação Médica Brasileira, vol.54 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2008.

   Tendência da transmissão vertical de Aids após terapia anti-retroviral no Brasil -Ana Maria de Brito et al. – Rev. Saúde Pública ;40(Supl):18-22.- 2006

   Profilaxia da Transmissão Vertical do HIV em Gestantes. Ministério da Saúde, 2002 / 2003.

   Recomendações para Terapia Antirretroviral em Crianças e Adolescentes Infectados pelo HIV ( Versão Preliminar) - MINISTÉRIO DA SAÚDE - SVS - Programa Nacional de DST e Aids - Brasília - DF 2009.

   Relatório da UNAIDS-2008 (em espanhol).

   Epidemiologia da AIDS no Brasil - Ministério da Saúde.

   Livro: Uma história brasileira das doenças - Dilene R. Nascimento et cols. - Publicado por Mauad Editora Ltda, 2006.

   Livro: AIDS: the biological basis - Benjamin S. Weeks et al. - Publicado por Jones & Bartlett Publishers, 2006.

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Lembramos que os textos da série "A Saúde da Mulher" têm caráter estritamente informativo e de apoio,
não substituindo - em hipótese alguma - as relações de confiança entre médicos e pacientes. (CAC)