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Artigos de divulgação científica em ginecologia, escritos pelo
Dr. Carlos Antônio da Costa
TEGO 035/79
ANO III - NÚMERO 28 - JULHO DE 2005. ÚLTIMA REVISÃO: ABRIL DE 2009.

INCONTINÊNCIA URINÁRIA

        A perda involuntária de urina empresta características dramáticas à qualidade de vida da mulher. Sentimentos como vergonha, ansiedade, frustração, depressão e medo geralmente estão associados à incapacidade de retenção urinária, levando suas portadoras a um permanente estado de angústia e a um progressivo isolamento social.

       A incontinência urinária não é uma doença em si, e sim um sintoma que pode ter diversas causas. Entre estas, destacamos: o enfraquecimento da musculatura e dos tecidos pélvicos que sustentam a bexiga e a uretra, a mobilidade exagerada do colo vesical, o fechamento deficiente do esfíncter uretral e a contração prematura do músculo da bexiga (detrusor).  É importante lembrar que alguns distúrbios neurológicos (neuropatia diabética, esclerose múltipla), as infecções (cistites) e o uso de certos medicamentos também podem ser responsáveis pelo aparecimento ou agravamento deste sintoma.

       A perda de urina que se manifesta em situações  nas quais há um aumento súbito da pressão abdominal – como no ato de tossir, pular, espirrar, gargalhar, correr, levantar peso - é conhecida clinicamente como “incontinência urinária de esforço”. Uma outra forma de incontinência se caracteriza pela sensação de urgência; isto é, há um intenso (e urgente) desejo de esvaziar a bexiga, entretanto a paciente não consegue inibir esse desejo, perdendo urina antes de chegar ao toalete. Nestes casos, há uma contração prematura e irrefreável do detrusor, fazendo com que o reflexo de esvaziamento aconteça sem que a bexiga esteja cheia - como ocorre na cistite -, porém, aqui, há uma importantíssima diferença: não há infecção.

A perda de urina que se manifesta em situações nas quais há um aumento súbito da pressão abdominal – como no ato de tossir, pular, espirrar, gargalhar, correr, levantar peso - é conhecida clinicamente como “incontinência urinária de esforço”.

       Os partos – múltiplos e/ou difíceis (fetos grandes) – podem provocar lesões no assoalho pélvico que, mais tarde, irão se manifestar pela “queda de bexiga” (cistocele), “queda do útero” (prolapso) ou pela incontinência urinária. Entretanto, esses problemas também são observados em mulheres que não tiveram filhos, ou os tiveram por cesariana, indicando a participação de um fator constitucional. A deficiência hormonal, que se instala na pós-menopausa, também colabora para o enfraquecimento das estruturas anatômicas que dão sustentação à bexiga e à uretra femininas.

       O diagnóstico do tipo de incontinência – se de esforço, de urgência, mista, etc. - é o passo mais importante para que possamos traçar uma estratégia terapêutica adequada. A investigação inicial inclui a análise das informações fornecidas pela paciente (freqüência, intensidade, passado obstétrico e ginecológico, cirurgias corretivas anteriores, etc.) e o exame pélvico. Este, criterioso, dirigido para detectar possíveis alterações anatômicas responsáveis pelo sintoma. Se, após a avaliação inicial, houver necessidade de um estudo mais detalhado sobre a funcionalidade do trato urinário baixo, a paciente deverá ser encaminhada a um serviço de Urologia para realizar outros exames (estudo urodinâmico), visando esclarecer o quadro clínico.

       Para cada mulher que sofre de incontinência urinária, há um recurso terapêutico mais adequado. Em outras palavras: nesta, como em outras patologias ginecológicas, o tratamento deve ser individualizado. O tipo de incontinência, a idade da paciente (pós-menopausa), a intensidade do sintoma (leve, moderada ou severa), a concomitância de distúrbios neurológicos (centrais ou periféricos) e a existência - ou não - de prolapso genital associado são alguns dos parâmetros que devem ser considerados na escolha da melhor opção terapêutica. Os recursos atualmente disponíveis incluem procedimentos clínicos (medicamentos), fisioterápicos (exercícios de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico) e uma gama variada de técnicas cirúrgicas - algumas das quais são feitas com anestesia local, e exigem apenas 12 horas de internação.

       Nos dias atuais, um dos mais importantes objetivos da uroginecologia é promover a cura da incontinência urinária e, portanto, restituir a qualidade de vida entre suas portadoras.

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  Para saber mais sobre este assunto:

  Parâmetros da urofluxometria e do estudo fluxo/pressão em pacientes uroginecológicas - Emerson de Oliveira et al. - Revista da Associação Médica Brasileira, vol.54 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2008.

  Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Paulo Cezar Feldner Jr. et al. - Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, vol.28 no.1 Rio de Janeiro Jan. 2006.

  Sling de aponeurose e com faixa sintética sem tensão para o tratamento cirúrgico da incontinência urinária de esforço feminina - João Paulo Sartori et al. - Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v.30 n.3 Rio de Janeiro mar. 2008.

  Impacto do estudo urodinâmico em mulheres com incontinência urinária - Maíta Poli de Araujo et al. - Revista da Associação Médica Brasileira, v.53 n.2 São Paulo mar./abr. 2007.

  Estudo urodinâmico da pressão de perda ao esforço, nas posições ortostática e sentada, em mulheres com incontinência urinária - Armando Brites Frade et al. - Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, vol.29 no.2 Rio de Janeiro Feb. 2007.

  Comparações entre os índices de qualidade de vida em mulheres com incontinência urinária submetidas ou não ao tratamento cirúrgico - Antonio Pedro Auge et al. - Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, vol.28 no.6 Rio de Janeiro June 2006.

  Fatores de risco para incontinência urinária na mulher - Rosângela Higa el al. - Revista da Escola de Enfermagem da USP, 42(1):187-92, 2008.

  Risk Factors for Urinary Incontinence among Middle-aged Women - Kim N. DANFORTH - Am J Obstet Gynecol. February; 194(2): 339–345. 2006.

  Urinary incontinence Pathophysiology and management outline - Stanley K Santiagu et al. - Australian Family Physician Vol. 37, No. 3, March 2008.

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Lembramos que os textos da série "A Saúde da Mulher" têm caráter estritamente informativo e de apoio,
não substituindo - em hipótese alguma - as relações de confiança entre médicos e pacientes. (CAC)