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Artigos de divulgação científica em ginecologia, escritos pelo
Dr. Carlos Antônio da Costa
TEGO 035/79
ANO II - NÚMERO 24 - MARÇO DE 2005. ÚLTIMA REVISÃO: MAIO DE 2009.

OSTEOPOROSE

       A osteoporose é um processo degenerativo no qual há uma perda progressiva da resistência dos ossos, levando a uma maior fragilidade do esqueleto e, portanto, a uma maior incidência de fraturas em seus portadores.

       O sexo feminino é muito mais atingido pela osteoporose do que o masculino. Entre os 50 e 75 anos de idade, o número de mulheres com esse problema é seis vezes maior do que o de homens. Após os 75 anos, o número de casos entre as mulheres é o dobro daquele registrado entre os homens. A deficiência hormonal (estrogênica), típica da pós-menopausa, é apontada como um dos fatores responsáveis por essa desproporção. Outros fatores, como a raça (branca ou asiática), a concomitância de outras doenças (hipertireoidismo, etc.), antecedentes familiares, o uso de medicamentos (corticóides, etc.), o alcoolismo, o fumo, a vida sedentária, a pouca exposição à luz solar e uma dieta pobre em cálcio, também concorrem para a instalação da fragilidade óssea com o avançar da idade.

       Ao contrário do que muitos pensam, o nosso esqueleto não é uma estrutura estática. Mesmo depois de completarmos o nosso crescimento, os ossos são remodelados continuamente. Enquanto um grupo de células se encarrega de absorver o “osso velho”, um outro grupo é responsável pela formação de “osso novo”, substituindo aquele absorvido.  Até os 35 anos, o processo de formação supera o da absorção; após essa idade, há uma perda anual de 0,3% da massa óssea em ambos os sexos. Na mulher, porém, durante os 10 primeiros anos que se seguem à menopausa – seja natural ou cirúrgica, por retirada dos ovários -, essa perda pode chegar a 3% ao ano; isto é, dez vezes mais rápida do que nos homens.

       Silenciosamente instalada, a osteoporose é responsável por fraturas das vértebras da coluna (região lombar, principalmente) e do colo do fêmur. Estas últimas, além de necessitarem de internação hospitalar para  correção cirúrgica, demandam um longo período de recuperação. Portanto, nossa atenção deve voltar-se para a prevenção, para o diagnóstico precoce e para o tratamento dessa doença que, com o progressivo aumento da expectativa de vida em nosso país, torna-se cada vez mais um problema de saúde pública.

       A densitometria óssea é um exame fundamental na avaliação das pacientes vulneráveis à osteoporose. Por meio deste exame, é possível não apenas diagnosticar a existência da doença, mas também verificar se a(o) paciente se encontra  num estágio anterior de perda da massa óssea - conhecido como osteopenia -, o que facilita a adoção de medidas preventivas e terapêuticas antes que o problema se agrave. A densitometria óssea está indicada para todas as mulheres acima de 65 anos de idade. Outras indicações incluem mulheres acima de 40 anos que possuem fatores de risco para osteoporose. Na pós-menopausa (entre os 50 e 65 anos, principalmente entre aquelas mulheres que interromperam ou não fazem terapia hormonal estrogênica), este exame pode ser realizado a cada três anos como forma de controle.

Silenciosamente instalada, a osteoporose é responsável por fraturas das vértebras da coluna (região lombar, principalmente)
e do colo do fêmur.

         O diagnóstico de osteopenia é um dado importante, porém, quando visto isoladamente, não nos autoriza a submeter a paciente a um tratamento. É necessário analisar este resultado em conjunto com outros oito fatores de risco para, então, calcular o risco absoluto de um indivíduo sofrer, nos próximos dez anos, uma fratura do colo femoral ou outras fraturas osteoporóticas maiores. A Organização Mundial de Saúde, com a colaboração do Dr. John A Kanis, desenvolveu uma ferramenta para esse cálculo - FRAX® ( Fracture Risk Assessment Tool ). São inseridos, além do resultado da densitometria do colo do fêmur, uma série de dados do paciente - relacionados aos fatores de risco, como, sexo, idade, uso de corticóides, tabagismo, etc. O resultado do risco absoluto de fratura nos próximos dez anos é dado em percentual, e serve como parâmetro para o tratamento, ou não, de um determinado paciente, considerando a análise populacional da cada país. A análise populacional para o Brasil ainda não existe. Provavelmente, estará a cargo da Confederação das Entidades Brasileiras de Osteoporose e Osteometabolismo (Cebom).

       O tratamento da osteoporose abrange uma ampla gama de providências que vão desde  mudança nos hábitos de vida (nutrição, atividades físicas, exposição ao sol, evitar o fumo e o álcool, etc.) até o uso de medicamentos. A ingestão apropriada de cálcio (leite e derivados) está entre as medidas nutricionais a serem adotadas. A exposição ao sol promove a síntese da Vitamina D, outro fator importante na manutenção da qualidade óssea.  O hábito de fazer caminhadas (pelo menos, três vezes por semana, por 40 minutos a uma hora), além de ser benéfico para o aparelho cardiovascular, também aumenta a resistência do esqueleto. Os tratamentos medicamentosos, feitos sob estrita orientação médica, irão variar de acordo com a história clínica e as características individuais de cada paciente.

       As estatísticas nos informam que, “a partir dos 50 anos, 30% das mulheres e 13% dos homens poderão sofrer algum tipo de fratura por osteoporose ao longo da vida”. Por detrás desses números, há uma advertência especial para as mulheres(!).

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  Para saber mais sobre este assunto:

   Osteoporose em mulheres na pós-menopausa, cálcio dietético e outros fatores de risco - Haydée S. Lanzillotti et al. - Revista de Nutrição, vol.16 no.2 Campinas April/June 2003.

   A prevenção da osteoporose levada a sério: uma necessidade nacional - Marise Lazaretti-Castro et al. - Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, vol.52 no.4 São Paulo June 2008.

   Comparação da qualidade de vida relacionada à saúde entre mulheres na pós-menopausa praticantes de atividade física com e sem osteoporose - Marcelo T. Navega - Revista Brasileira de Reumatologia, vol.47 no.4 São Paulo July/Aug. 2007.

   RECOMENDAÇÕES PARA O DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA DA OSTEOPOROSE - Sociedade Portuguesa de Reumatologia Sociedade Portuguesa de Doenças Ósseas Metabólicas - Viviana Tavares et al. - 2007.

   Prática de atividade física na adolescência e prevalência de osteoporose na idade adulta - Fernando V. Siqueira et al. - Revista Brasileira de Medicina do Esporte, vol.15 no.1 Niterói Jan./Feb. 2009.

   Posições oficiais 2008 da Sociedade Brasileira de Densitometria Clínica (SBDens) - Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, vol.53 no.1 São Paulo Feb. 2009.

   Consenso Brasileiro de Osteoporose - 2002.

   Osteoporose em Mulheres na Pós-Menopausa - Projeto Diretrizes - Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina - Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2002.

   Prevalência de osteoporose: uma revisão crítica - Paulo Frazão el al. - Revista Brasileira de Epidemiologia, vol.9 no.2 São Paulo June 2006.

   Canadian Consensus Conference on Osteoporosis, 2006 Update - Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada’s - FEBRUARY 2006.

   Management of osteoporosis in postmenopausal women - The North American Menopause Society - 2006.

   Livro: Osteoporosis: Clinical Guidelines for Prevention, Diagnosis, and Management - Sarah H. Gueldner et al. - Publicado por Springer Publishing Company, 2007.

   Livro: Osteoporosis: a guide for clinicians - Pauline M. Camacho et al. - Publicado por Lippincott Williams & Wilkins, 2007

   Livro: Osteoporosis: Pathophysiology and Clinical Management - Eric S. Orwoll et al. - Publicado por Humana Press, 2003.

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Lembramos que os textos da série "A Saúde da Mulher" têm caráter estritamente informativo e de apoio,
não substituindo - em hipótese alguma - as relações de confiança entre médicos e pacientes. (CAC)