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Página inicial Dr. Carlos Antônio da Costa
Artigos de divulgação científica em ginecologia, escritos pelo
Dr. Carlos Antônio da Costa
TEGO 035/79
ANO II - NÚMERO 19 - OUTUBRO DE 2004. ÚLTIMA REVISÃO: DEZEMBRO DE 2008.

HERPES GENITAL

       O herpes simples (HS) é uma doença infecciosa causada por dois tipos de vírus: o tipo 1 (HSV-1) e o tipo 2 (HSV-2). O primeiro tem preferência pela região da boca (herpes labial), enquanto o segundo é o principal responsável por uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais disseminadas na atualidade: o herpes genital. Apesar de suas localizações preferenciais, porém, qualquer um dos dois tipos pode provocar lesões labiais e/ou genitais; sendo possível, inclusive, a transmissão do vírus de uma região para a outra.

O vírus do herpes tipo 2
é, internacionalmente, a causa mais freqüente
de úlceras genitais.

 
Concepção artística do capsídeo do herpesvírus tipo 2.

        O herpes labial é o mais conhecido – porque é mais evidente -, e ocorre naquelas ocasiões em que há uma diminuição das defesas do organismo como, por exemplo, nas situações de estresse e nos estados febris (gripe). Inicia-se com uma leve sensação de dormência ou coceira, que evolui para a formação de pequeninas bolhas (agrupadas e dolorosas), que se rompem, instalando-se ali uma ferida, que persiste por sete a dez dias até cicatrizar completamente.

       O herpes genital, em seu episódio inicial (infecção primária), pode apresentar apenas sintomas locais ou manifestar-se de maneira mais grave e prolongada com febre, mal-estar generalizado, dores pélvicas, aumento dos gânglios (íngua), além das lesões (bolhas e feridas dolorosas) na região genital, ao redor do ânus, nas nádegas e na parte superior das coxas. Nas mulheres, quando as úlceras estão na entrada da vagina, o contato destas com a urina – ou mesmo com a água, durante o banho - provoca dor intensa, chamando a atenção da paciente para o problema.

Cerca de 60% das pessoas que abrigam vírus do herpes em seu organismo não apresentam qualquer sintoma.
 
As pequenas bolhas coalescem, tranformando-se em úlceras.

       Cerca de 60% das pessoas que abrigam vírus do herpes em seu organismo não apresentam qualquer sintoma (e não sabem que são portadoras), transmitindo-o, inadvertidamente, em suas relações sexuais. Outro aspecto importante é que, uma vez infectado (na adolescência, por exemplo), o(a) paciente irá abrigar o vírus por toda a sua vida (!), alternando períodos em que não há qualquer tipo de manifestação clínica, com outros em que a recorrência dos sintomas (reativação) se faz presente. O tempo entre as “crises”, assim como a intensidade das recorrências é variável; entretanto, guardam relação com o estado emocional (tensão, ansiedade) da paciente, bem como com o enfraquecimento do seu sistema imunológico (anticorpos).

       Como já dissemos, a transmissão do herpes genital pode ocorrer mesmo que o(a) portador(a) não apresente sintomas. Porém, é durante a reativação - desde a fase de bolhas até a completa cicatrização da(s) ferida(s) – que a infecção se dissemina mais facilmente. Portanto, as relações sexuais devem ser completamente evitadas nesse período. Nas gestantes, cujo trabalho de parto se inicia durante o episódio de recorrência da doença, recomenda-se a cesariana para evitar a contaminação do feto e o herpes neonatal.

       O diagnóstico dessa virose tem por base a história clínica da paciente (recorrências) e o aspecto das úlceras, podendo ser confirmado por meio de testes laboratoriais.

       Infelizmente, não existe cura para essa DST. Os medicamentos atualmente empregados (anti-virais como o aciclovir, famciclovir e valaciclovir) apenas encurtam a duração das “crises”  (apressam a cicatrização das feridas) e aumentam o período entre as recorrências.  Em alguns casos, em que os episódios são muito freqüentes (coincidindo com a TPM, por exemplo) prolonga-se a prescrição por vários meses (terapêutica supressiva). Uma outra vertente de tratamento – que pode ser usada em conjunto com os anti-virais – propõe o fortalecimento do sistema de defesa do organismo, através do emprego de imunomoduladores. Os mais importantes centros de pesquisa do mundo estão em busca de uma vacina contra o vírus do herpes; o que, no momento, ainda é uma promessa para a próxima década.

       As mulheres são muito mais afetadas pelo herpes genital do que os homens. Cabe, portanto, ao ginecologista dar suporte terapêutico, psicológico e educacional sobre este assunto às pacientes.

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  Para saber mais sobre este assunto:

  Manual de DST - Herpes genital - Ministério da Saúde - Brasil.

  DST / AIDS - Manual de Orientação da FEBRASGO - 2004 - Via SGGO.

  ÚLCERAS GENITAIS CAUSADAS POR INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS - JOÃO BORGES DA COSTA &cols. - Acta Med Port 2006; 19: 335-342.

  Genital Herpes: A Review - JOHN G. BEAUMAN, MAJ, MC, USA - American Academy of Family Physicians - October 15, 2005, Volume 72, Number 8.

  Genital herpes and its management - P Sen & S E Barton - BMJ 2007;334:1048-1052 (19 May), doi:10.1136/bmj.

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Lembramos que os textos da série "A Saúde da Mulher" têm caráter estritamente informativo e de apoio,
não substituindo - em hipótese alguma - as relações de confiança entre médicos e pacientes. (CAC)