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Página inicial Dr. Carlos Antônio da Costa
Artigos de divulgação científica em ginecologia, escritos pelo
Dr. Carlos Antônio da Costa
TEGO 035/79
ANO II - NÚMERO 17 - AGOSTO DE 2004. ÚLTIMA REVISÃO: DEZEMBRO DE 2008.

CISTITE

       Ela é a segunda infecção mais freqüente entre mulheres adultas e sexualmente ativas, sendo superada apenas pelo resfriado. Mas, ao contrário da gripe, que atinge igualmente homens e mulheres, a infecção da bexiga é vinte vezes mais comum no sexo feminino do que no masculino. Entender as razões dessa incômoda supremacia é o primeiro passo para prevenir esse problema que atinge 10 a 20% de todas as mulheres em algum momento de suas vidas.

       A necessidade urgente de esvaziar a bexiga – repetidas vezes e a curtos intervalos -, a dor ao urinar, a sensação de ardência ou de queimação, o desconforto contínuo no baixo ventre e, nos casos mais graves, a presença de sangue na urina são sintomas típicos da cistite aguda.

       A uretra feminina, que tem apenas quatro centímetros de comprimento (cinco vezes mais curta que a masculina), situa-se imediatamente acima da entrada de vagina e esta, por sua vez, está próxima do ânus. Apesar da proximidade dessas estruturas, as bactérias que compõem a flora vaginal e intestinal, em condições normais, não conseguem invadir a bexiga graças a uma série de mecanismos naturais de proteção (fluxo periódico, acidez da urina, anticorpos, etc.), mecanismos esses aos quais devem ser acrescentados os cuidados habituais de higiene.

O comprimento da uretra feminina e a sua proximidade do ânus (fezes) são fatores que predispõem a mulher às cistites.

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Por esse motivo, a menina deve ser educada - desde infância - a fazer sempre
a higiene anal "da frente para trás".

 

 

       As relações sexuais têm um papel muito importante no desencadeamento das cistites na mulher, a ponto de 80% dos casos ocorrerem nas 24 horas após o coito. O vai-e-vem do pênis, durante o intercurso, além de ter um potencial traumático para o assoalho da bexiga, facilita a penetração de bactérias na uretra, “empurrando-as” para o interior da mesma. A atividade sexual intensa e repetida pode dar origem ao que conhecemos como “cistite da lua-de-mel”.

       Entre os germes causadores dessa infecção, uma bactéria – a Escherichia coli, habitualmente encontrada no intestino grosso e nas fezes -, ocupa um lugar de destaque, pois é responsável por quase 90% dos casos; o que reforça a necessidade de maior cuidado com a higiene íntima.

       O conjunto das queixas apresentadas pelas pacientes, somado ao exame laboratorial da urina, praticamente, fecham o diagnóstico. Entretanto, para um tratamento correto, é absolutamente necessária a orientação de um médico, sendo desaconselhável a auto-medicação - bem como arriscar-se com palpites de balconistas de farmácias -, sob pena da infecção alcançar os rins, complicando seriamente o quadro clínico.

Uma "simples" cistite, se não for adequadamente tratada, poderá se transformar numa infecção mais abrangente e grave, atigindo todo o aparelho urinário.

Portanto, siga sempre as orientações do seu médico e evite a auto-medicação!

 

       Abaixo, apontamos alguns hábitos que, se cultivados, poderão ajudar na prevenção da cistite aguda na mulher, e também evitar a sua repetição:

      1 - Beba, no mínimo, um litro e meio de água por dia (no inverno ou no verão; com ou sem sede).

     2 - Esvazie a bexiga regularmente. Evite prender, segurar ou adiar a micção por muito tempo. O fluxo da urina contribui para a eliminação das bactérias da uretra.

     3 - Mantenha limpas as regiões da vagina e do ânus. Depois de evacuar, passe o papel higiênico da frente para trás e, sempre que possível, lave-se com água e sabão – um hábito fundamental e que deve ser ensinado a todas as mulheres desde a infância.

     4 – Trate, prontamente, as infecções vaginais (corrimentos).

     5 – Urinar, depois das relações sexuais, favorece a eliminação das bactérias que se encontram no trato urinário.

     6 – Evite roupas muito justas de tecidos sintéticos (nylon, lycra), pois elas prejudicam a transpiração, o que facilita a multiplicação de germes na região genital.

     7 – Na pós-menopausa – uma fase pródiga em episódios de cistite -, a reposição hormonal tópica (sob a forma de óvulos ou cremes vaginais) poderá restituir os mecanismos de defesa do trato urinário feminino, protegendo-o dos germes invasores.

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  Para saber mais sobre este assunto:

  Abordagem diagnóstica e terapêutica na infecção do trato urinário - Itu - Ita Pfeferman Heilberg; Nestor Schor - Rev. Assoc. Med. Bras. vol.49 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2003.

  Infecção urinária na gravidez - Geraldo Duarte & cols. - Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.30 no.2 Rio de Janeiro Feb. 2008.

  Infecções do Trato Urinário: Diagnóstico - Projeto Diretrizes - Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina - Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Urologia.

  INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO - Osvaldo Merege Vieira Neto - Medicina, Ribeirão Preto, 36: 365-369, abr./dez.2003.

  Bladder, Cystitis - Ali Nawaz Khan - eMedicine - Article Last Updated: Feb 21, 2007.

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Lembramos que os textos da série "A Saúde da Mulher" têm caráter estritamente informativo e de apoio,
não substituindo - em hipótese alguma - as relações de confiança entre médicos e pacientes. (CAC)