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Artigos de divulgação científica em ginecologia, escritos pelo
Dr. Carlos Antônio da Costa
TEGO 035/79
ANO II - NÚMERO 14 - MAIO DE 2004. ÚLTIMA REVISÃO: NOVEMBRO DE 2008.

MIOMAS UTERINOS

       Miomas – também conhecidos como fibromas, leiomiomas ou fibromiomas - são tumores benignos (não cancerosos), sólidos, arredondados, de dimensões variadas e que têm origem na camada muscular do útero. Sua causa ainda é desconhecida, porém sua incidência está relacionada a padrões genéticos, sendo - de duas a cinco vezes - mais freqüentes entre mulheres de raça negra do que entre as de pele clara. Outra característica importante é que o crescimento desses tumores é estimulado pelos hormônios estrogênicos, o que os faz aumentar de tamanho durante a gravidez e regredir, espontaneamente, após a menopausa.

       Na dependência da sua localização - em relação à parede uterina -, os fibromas são classificados em subserosos, intramurais e submucosos. Subserosos são aqueles que crescem na parte mais externa do útero, ficando em contato com as demais vísceras do abdome (bexiga e intestinos). Intramurais são os que se desenvolvem dentro da parede uterina, e, submucosos são os que se projetam para dentro da cavidade uterina, deformando o seu interior. É comum que uma mesma mulher apresente vários nódulos miomatosos com localizações e sutilezas anatômicas distintas (pediculados intracavitários, pediculados subserosos, intraligamentares e cervicais). As dimensões desses tumores poderão variar desde microscópicas até muitos centímetros, chegando a pesar – em casos extremos -  mais de dois quilos. A localização e o tamanho do(s) mioma(s) são os fatores mais importantes na geração de sintomas.

Classificação dos miomas, de acordo com a localização:


       A principal queixa relacionada à presença de fibromas é o aumento progressivo do volume de sangue perdido a cada menstruação, muitas vezes motivando o atendimento de emergência pela intensa hemorragia que provocam. Outros sintomas, como dor pélvica, sensação de peso no baixo ventre, alteração do ritmo intestinal e aumento da freqüência urinária também são sinais indiretos da existência de fibromas, pela compressão que exercem nas vísceras vizinhas (bexiga e intestinos). Por apresentar um crescimento lento, esses tumores podem surgir aos 20 anos de idade, causando sintomas somente uma ou duas décadas depois. A degeneração maligna dos miomas (cancerização) é muito rara (menos de 0,5 %). Esse percentual não justifica a remoção nas pacientes assintomáticas.

       O diagnóstico dos leiomiomas tem por base as queixas da paciente e o exame ginecológico. A avaliação pela ultra-sonografia é também importante para a confirmação, mapeamento e dimensionamento dos nódulos, o que irá se refletir no planejamento terapêutico.

       Pacientes com miomas, que não apresentam quaisquer sintomas, não requerem nenhum tratamento! Entretanto, devem ser reavaliadas periodicamente.

       São inúmeros os recursos terapêuticos, ora existentes, para o tratamento dessa patologia. Num diálogo franco com a paciente, o médico assistente deve expor os prós e os contras de cada uma das opções, buscando - com ela – a melhor solução para o problema.

       A idade da paciente, o desejo dela de ter filhos, as dimensões e localização do(s) mioma(s), a intensidade dos sintomas (hemorragias), a proximidade – ou não – da menopausa são alguns dos fatores a serem criteriosamente analisados antes da tomada de decisão.

       Podemos atuar sobre os miomas - quando necessário - de forma clínica (medicamentos) ou cirúrgica. Geralmente, os medicamentos empregados para este fim colocam as pacientes num estado de menopausa artificial, atuando sobre a dependência hormonal desses tumores, diminuindo-lhes as dimensões, porém causando os mesmos desconfortos daquela fase. Sob o ponto de vista cirúrgico, as opções podem incluir procedimentos de maior ou menor complexidade tecnológica como a embolização, a eletromiólise, a criomiólise, a remoção dos miomas com manutenção do útero (miomectomia), chegando até a mais radical das cirurgias para esse problema: a retirada de todo o útero (histerectomia).

      Para cada caso, para cada mulher, existe uma opção terapêutica mais apropriada. Converse com o seu ginecologista!

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Para saber mais sobre este assunto:

   Tratamento atual dos miomas. - Helena von Eye Corleta & cols. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.29 no.6 Rio de Janeiro June 2007.

   Miomas e infertilidade: bases fisiopatológicas e implicações terapêuticas - Ana Luiza B.da Silva & cols. - Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 5 (1): 13-18, jan. / mar., 2005.

   Etiology and Pathogenesis of Uterine Leiomyomas: A Review - Gordon P. Flake & cols. - Environmental Health Perspectives - VOLUME 111 | NUMBER 8 | June 2003

   Uterine Fibroid Tumors: Diagnosis and Treatment - PATRICIA EVANS, MD & col. Am. Fam. Physician 2007;75:1503-8.

   Leiomyoma, Uterus (Fibroid) - Philip Thomason, MD & cols. - eMedicine - Article Last Updated: May 6, 2008.

   MEDICAL TREATMENT FOR UTERINE MYOMAS - Ming-Hui Cheng, Hsiang-Tai Chao, Peng-Hui Wang - Taiwan J Obstet Gynecol • March 2008 • Vol 47 • No 1

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Lembramos que os textos da série "A Saúde da Mulher" têm caráter estritamente informativo e de apoio,
não substituindo - em hipótese alguma - as relações de confiança entre médicos e pacientes. (CAC)