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impressa: 34 à 40
RESUMO
Nesta revisão sobre anticoncepção no climatério, os autores procuram
dar uma perspectiva geral do tema à luz das contribuições mais
recentes. Os métodos contraceptivos aplicáveis em mulheres acima dos
35 anos de idade são sujeitos a considerações especiais. Durante
esse período, a fertilidade diminui devido à diminuição da atividade
sexual, dos ciclos ovulatórios e do aumento de abortamentos. Por
outro lado, a gravidez acima dos 35 anos envolve aumento dos riscos
para a mãe e para o feto. Como conseqüência, a mulher necessita de
contracepção eficaz.
INTRODUÇÃO
A Febrasgo,1995(10), define climatério (do grego Klimakter: escalão,
degrau, categoria) como sendo a fase da vida da mulher na qual
ocorre a transição entre o período reprodutivo para o não
reprodutivo. Bossemeyer(5),1997, propõe que o climatério tenha
início aos 35 anos e o subdivide em três décadas: 1) fase inicial ou
precoce, dos 35 aos 45 anos, que quando sintomática relaciona-se com
esteroidogênese anormal, manifestando-se por hemorragia uterina
disfuncional e tensão pré-menstrual; 2) fase perimenopausal, dos 45
aos 55 anos, período em que ocorre a menopausa, por volta dos 50
anos, e que pode ser subdividido nas fases pré e pós-menopausal. É
nesse período que ocorrem os sintomas mais característicos do
climatério, ou seja, os fogachos; e 3) fase tardia do climatério,
dos 55 aos 65 anos, quando ocorrem as manifestações tardias da
deficiência estrogênica, como a osteoporose e a doença
cardiovascular, doenças que até então cursavam assintomaticamente.
O início do climatério aos 35 anos não é arbitrário. Embora as
alterações hormonais, com as conseqüentes alterações menstruais,
sejam as mais estudadas nos anos que antecedem a menopausa, uma
marcante diminuição da capacidade reprodutiva precede por diversos
anos estas alterações hormonais. A esse período de aumento da
infertilidade, Lobo(15), 1998, denominou "falência ovariana
gametogênica", caracterizada por diminuição da secreção de inibina,
aumento dos níveis séricos de FSH e diminuição acentuada na
fecundidade. Esta entidade ocorre com a função menstrual normal, sem
nenhuma deficiência endócrina óbvia e se inicia em torno dos 35 anos
de idade, cerca de dez ou mais anos antes do aparecimento das
alterações hormonais. Faddy e cols.(9)., 1992, demonstraram que a
população de folículos ovarianos diminui progressivamente desde o
nascimento até os 37 anos de idade, quando o número de folículos é
de cerca de 25.000, e, então, o índice de recrutamento folicular
aumenta abruptamente e o número diminui para 1.000 por ocasião da
menopausa.
Como a menopausa ocorre, em nosso meio aos 48 anos(14), a
anticoncepção no climatério seria aquela praticada por mulheres dos
35 anos até um ano após a menopausa (em torno dos 50 anos).
Calculava-se, em 1966, que a cada minuto de cada dia uma mulher
morria em conseqüência da gravidez ou do parto e que mais de 99%
dessas mortes ocorriam em países subdesenvolvidos. A maior parte
dessas mortes ocorriam como resultado da fertilidade não controlada.
Evidências demonstram que o risco de morbimortalidade materna e
fetal, tanto nos países industrializados como nos subdesenvolvidos
ocorrem em quatro tipos específicos de gestações: 1) antes dos 18
anos de idade; 2) após os 35 anos de idade; 3) após quatro partos; e
4) espaçamento entre os partos menor que dois anos. Como nos países
em desenvolvimento, as mulheres com mais de 35 anos têm mais de
quatro filhos, suas gestações apresentam mais de uma categoria de
risco(6).
A ocorrência de uma gestação em mulher mais madura é motivo de
grande preocupação. O que antes era realização e desejo, representa
agora um risco significativo para a saúde; tal fato, aliado às
evidências de incremento nos índices de malformações congênitas e de
mortalidade perinatal, torna importante o estudo do tema em
questão(24).
Fertilidade após os 35 anos
A redução na fertilidade das climatéricas é notada quando analisamos
a idade materna na população geral: aos 40 anos a contribuição é de
menos de 1% dos nascimentos e aos 50 anos contribuindo com apenas um
nascimento para cada 10.000 partos(1). A incidência de esterilidade
aumenta de 4% dos 15 aos 19 anos para 33% acima dos 35 anos(4). O
decréscimo da fertilidade após os 35 anos de idade se deve a fatores
como menor número e pior qualidade dos oócitos, alterações do grau
de fertilização e de implantação, anomalias cromossômicas
embrionárias responsáveis por índices maiores de abortamentos e
natimortalidade, parceiros muito idosos, decréscimo na freqüência
sexual e doenças associadas.
Após os 35 anos de idade os ovários começam a diminuir em peso e
volume e contêm menos folículos primordiais e mais folículos
atrésicos. Isso é associado com aumento do FSH circulante e
diminuição do estradiol e da progesterona, enquanto a concentração
de LH não é significativamente alterada. Essas alterações nos níveis
de hormônios circulantes freqüentemente ocorrem ante a ciclos
menstruais ovulatórios. É possível que tais alterações ocorram por
diminuição da produção de inibina com a diminuição do número de
folículos. A redução da produção de estradiol remove o retrocontrole
negativo da produção de FSH, que aumenta e induz o desenvolvimento
folicular acelerado e pode ser a causa do encurtamento do ciclo,
primeira evidência clínica da aproximação da menopausa. Como o
número de folículos é ainda mais reduzido, a produção de estrogênios
continua a diminuir e se torna insuficiente para induzir o pico do
LH necessário para a ovulação. É bem documentado que o número de
ciclos anovulatórios aumenta com a idade.
Gravidez após os 35 anos
A partir da década de 1960, com o advento dos métodos
anticoncepcionais mais seguros e eficazes, o planejamento dos
filhos, com redução do número e aumento dos intervalos de
nascimento, passou a ser exercido de maneira consciente. A
introdução da mulher no mercado de trabalho, a necessidade de
desenvolvimento de uma carreira, a disputa de espaços no mercado, a
melhoria das condições socioeconômicas e a estabilidade financeira
são fatores que fazem com que o início da atividade reprodutiva
ocorra em idade mais avançada. Por outro lado, o aumento de
separações e as conseqüentes novas uniões, que muitas vezes desejam
consagrar com um filho, formam casais com mais idade que procuram
engravidar. Nos países desenvolvidos, as mulheres estão ficando
grávidas cada vez mais tarde. Nos Estados Unidos da América do
Norte, em 1970, de todas as primeiras gestações, 4% ocorreram em
mulheres acima dos 30 anos,em 1987 já eram 16%. O número de mulheres
sem filhos aos 30 anos subiu de 15%, em 1970, para 31%, em 1987(8).
Na Europa, cerca de 40% dos partos ocorrem em mulheres com mais de
35 anos de idade, enquanto no Brasil esta taxa é de 14%(22).
A escolha e o uso de um método contraceptivo em mulheres maduras
deve levar em consideração que a gestação de uma mulher
pré-menopausal é, muitas vezes, uma ocorrência não desejada e
carrega especiais riscos e implicações. Segundo a Febrasgo,
1995(10), se o risco relativo de mortalidade materna é de 1 entre os
15 e 19 anos de idade, aumenta para 4,9 dos 35 a 39 anos, para 8,3
dos 40 a 44 anos e para 22,2 em mulheres acima dos 45 anos. Segundo
Roucourt & Faria Jr.(25).,1999, o aumento da morbimortalidade na
mulher com mais de 35 anos de idade é devido à maior incidência de
intercorrências clínicas, como o diabetes e a hipertensão arterial,
e obstétricas, como a placenta prévia e o descolamento prematuro da
placenta, na gestação, a distócia funcional e a atonia uterina, no
parto e a infecção puerperal e a doença tromboembólica, no puerpério.
Outro fator que aumenta a morbimortalidade materna é o aumento da
taxa de cesáreas nesta faixa etária(20). Muitas mulheres na faixa de
idade aqui estudada são multíparas, algumas com mais de cinco partos
anteriores. Em artigo de 1934, Solomons(26) denominou essas mulheres
de "dangerous multípara" e afirmou que as mesmas tinham maior índice
de mortalidade; seriam estas mulheres as mais propensas a terem as
complicações de parto, tais como o descolamento prematuro de
placenta e distócias funcionais, assim como as hemorragias
pós-parto; no dizer de Solomons: "em partos, a prática não leva à
perfeição". No entanto, Bugg e cols.(7), 2002, demonstraram que a
grande multiparidade na moderna Obstetrícia não pode mais ser
considerada perigosa.
O número de crianças nascidas de mulheres acima dos 35 anos de idade
tem aumentado gradativamente. Os dados publicados sobre os riscos
associados com a parturição acima dos 35 anos são inconsistentes. Os
riscos para o concepto relacionados à gravidez na mulher madura
podem ser classificados em três categorias: genéticos, clínicos
pregressos e obstétricos(20). O risco de crianças com anomalias
cromossômicas aumenta com a idade materna: para a trissomia do 21, a
causa mais comum de retardo mental passa de 1: 1.538 nascimentos aos
20 anos para 1: 111 aos 40 anos. Os testes para o diagnóstico
pré-natal não são acessíveis para muitas mulheres e mesmo quando
acessíveis causam importantes dilemas morais, éticos e pessoais para
o casal. Sabe-se que a mulher mais idosa tem maior possibilidade de
ter uma doença preexistente, tal como o diabetes ou a hipertensão
arterial. Alguns trabalhos mostram maior incidência de hemorragia
anteparto, apresentações anômalas, parto vaginal operatório e morte
fetal. A idade materna avançada é postulada como risco independente
para recém-nascido de baixo peso, parto prematuro, placenta prévia e
crianças admitidas em unidades de cuidados especiais. Não existem
evidências que mulheres mais idosas com prenhez prolongada tenham
risco aumentado de comprometimento fetal anteparto, no entanto, suas
crianças não toleram o trabalho de parto tão bem como os das
mulheres mais jovens, com aumento dos traçados carditocográficos
anormais e conseqüente cesáreas.
Escolha do método contraceptivo
A escolha do método contraceptivo ideal deve ser o que melhor se
adapta a cada mulher, atendendo às necessidades quanto à eficácia,
mantendo o menor índice de efeitos colaterais e trazendo, por fim, o
maior índice de satisfação. Durante esse período a fertilidade
diminui devido à diminuição da atividade sexual, do aumento do
número de ciclos anovulatórios e do aumento de abortamentos. A
gravidez em mulheres acima dos 35 anos envolve maior risco, tanto
para a mãe como para o feto. Como conseqüência a mulher necessita de
contracepção absolutamente eficaz. A diminuição da fertilidade faz
com que qualquer método contraceptivo tenha maior eficácia nas
mulheres mais idosas, no entanto, como a gestação resultante da
falha do método seja de risco muito elevado é necessária a
utilização de método bastante eficaz para essas mulheres. Muitas
vezes a escolha contraceptiva pode constituir-se em difícil
problema, tanto para a mulher madura quanto para seu médico, pois
doenças sistêmicas e localizadas no trato genital e os riscos
inerentes ao método podem impedir a sua utilização.
Na escolha do método anticoncepcional deve ser levado em conta que
dos 35 aos 40 anos de idade a fertilidade é bastante grande,
aproximando ao da menacme; dos 40 aos 45 anos, o índice de
fertilidade é de 10 por 100 mulheres/ano; e de 2-3 por 100
mulheres/ano acima dos 45 anos(3). Esta afirmativa pode ser
traduzida assim: a mulher que apresenta ciclos menstruais regulares,
em geral, está ovulando, tendo grandes possibilidades de engravidar;
aquelas com ciclos irregulares têm ovulações esporádicas e, apesar
da menor possibilidade de engravidar, ainda necessitam de
contracepção; e, aquelas com amenorréia maior ou igual a um ano,
desde que comprovado um hipogonadismo hipergonadotrópico, são
anovuladoras não tendo necessidade de método anticoncepcional(16).
Na escolha do método contraceptivo é importante conhecermos sua
eficácia. Steiner(28), da Family Health International, em 1999, ao
comentar dois trabalhos baseados na mesma casuística em que os
resultados diferiam significativamente, demonstrou que tais
resultados eram reflexo de diferentes metodologias adotadas. Num dos
trabalhos, os índices de falha dos contraceptivos em todas as
mulheres norte-americanas durante o primeiro ano de uso foram os
seguintes: as menores taxas de falhas foram com o implante e com os
injetáveis (2%-4%), seguidos pelas pílulas (9%), diafragma e capuz
cervical (13%), preservativo masculino (15%), abstinência periódica
(22%), coito interrompido (26%) e espermaticida (28%). Outros
métodos, como o DIU, não foram incluídos no trabalho porque menos de
1% das mulheres faziam uso desses métodos. Extratificando por idade,
verificou-se que adolescentes solteiras tinham índice de falha, no
primeiro ano, de 47%, enquanto nas casadas com mais de 30 anos, o
índice de falhas era de apenas 8%.
Classificação dos métodos contraceptivos
Os métodos contraceptivos podem ser classificados em métodos não
hormonais (Tabela 1) e métodos hormonais (Tabela 2). Discutiremos
cada um destes métodos, devendo ser lembrado que nas pesquisas de
eficácia de um determinado método, as mulheres recrutadas são
aquelas de maior fertilidade e sem doenças, portanto as mulheres no
climatério, em geral, são excluídas destas pesquisas.
ANTICONCEPÇÃO NÃO HORMONAL
Dentre os métodos não hormonais se incluem os métodos irreversíveis
ou definitivos e os métodos reversíveis, que incluem o dispositivo
intra-uterino e os métodos tradicionais, de barreira e
comportamentais.
Tabela 1- Métodos contraceptivos não hormonais
Métodos definitivos
1. laqueadura tubárea
2. vasectomia
Métodos de barreira
1. preservativos
2. diafragma
3. espermaticidas
4. outros
Métodos comportamentais
1. métodos naturais
2. método da amenorréia lactacional
3. ejaculação extravaginal
Dispositivo intra-uterino
1. não medicados
2. medicados
_____________________________________________________________
Métodos definitivos
O método anticoncepcional definitivo, permanente ou irreversível é
mais conhecido como esterilização. Os métodos definitivos,
laqueadura tubárea e vasectomia, têm melhor indicação nos indivíduos
mais idosos, nos quais o índice de arrependimento é menor. No
entanto, à medida que se aproxima a menopausa devem ser pesados os
riscos e benefícios de uma cirurgia, não isenta de complicações(22).
A laqueadura tubárea é menos eficaz, mais agressiva e mais onerosa
que a vasectomia. Os métodos definitivos são contra-indicados quando
o casal não estiver plenamente convicto de que não quer mais filhos
e de que o método a ser utilizado é definitivo.
A laqueadura na puerperalidade tem riscos e falhas maiores por
estarem as trompas mais volumosas e mais irrigadas e, pela portaria
140 da Constituição Brasileira, pode ser realizada somente "nos
casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas
anteriores", no entanto, no Brasil, mais de 70% das laqueaduras
tubárias eram realizadas durante operações cesarianas(21).
Métodos comportamentais
Compreendem o coito em período não fértil, a ejaculação extravaginal
e o método da amenorréia lactacional. O coito em período não fértil
e a ejaculação extravaginal não devem ser iniciados nas mulheres
climatéricas, no entanto, se o casal estiver bem adaptado a
determinado método, não há porque não continuá-lo.
O coito em período não fértil ou abstinência sexual periódica
pressupõe que a mulher esteja em condições de predizer o início e o
final de seu período fértil. Compreende alguns métodos que no seu
conjunto são denominados de métodos naturais. O coito em período não
fértil tem índices de falha aumentados à medida que se aproxima a
menopausa, quando se tornam freqüentes as irregularidades
menstruais(19).
O método da amenorréia lactacional (LAM), o mais natural de todos os
métodos contraceptivos é a utilização da amamentação como método
temporário de planejamento familiar. Para sua utilização são
necessárias três condições simultâneas: 1) o recém-nascido deve ter
menos de seis meses; 2) a mãe deve estar ainda em amenorréia; e 3) a
amamentação deve ser exclusiva. Caso qualquer destas três condições
não seja satisfeita, a mulher deve procurar a adição de outro método
contraceptivo, que não interfira com o aleitamento. O método da
amenorréia lactacional promove a amamentação com benefícios que
incluem nutrição adequada e prevenção de doenças na criança e o
retardamento do retorno da fertilidade e subseqüente gravidez para a
mãe.
Hardy e cols.(13), 1998, compararam a prevalência da anticoncepção e
o índice cumulativo de gestações entre 350 mulheres observadas antes
com outras 348 estudadas depois da implantação do método da
amenorréia lactacional como alternativa contraceptiva em um hospital
do Pernambuco. A percentagem de mulheres que fizeram anticoncepção
foi significativamente maior depois da intervenção e a taxa
cumulativa de gestações foi menor após a introdução do método (7,4%
x 14,3%).
O coito interrompido é o método mais antigo e ainda um dos mais
utilizados de contracepção, sendo geralmente citado pelos
especialistas de maneira depreciativa, baseados em mitos nunca
comprovados.
Métodos de barreira
Os métodos de barreira devem ser estimulados como métodos
anticoncepcionais isolados ou com outros métodos, pois previnem a
transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, em especial do
HIV, e ainda têm a vantagem de não causar efeitos sistêmicos. Os
métodos de barreira já foram implicados no aumento da pré-eclâmpsia
em suas usuárias e, como algumas das mulheres climatéricas são
nulíparas e/ou portadoras de diabetes e hipertensão, fatores de
risco para a pré-eclâmpsia, a utilização destes métodos poderia ser
inconveniente, no entanto, Mills e cols.(18), 1993, não verificaram
tal associação. No nosso meio os métodos de barreira são pouco
utilizados por mulheres com mais de 35 anos, mas é nessa faixa
etária que estes métodos apresentam os menores índices de gravidez,
menos de 1/100 casais/ano(22 ).
O diafragma pode ser utilizado naquelas sem prolapso genital,
manifestação que se acentua nessa faixa etária. Vessey e cols.(29),
1982, estudaram apenas mulheres casadas que já faziam uso do
diafragma por mais de cinco anos e encontraram que o índice de
gravidez em mulheres entre 35 e 39 anos de idade foi de 1,1 por 100
mulheres/ano.
Os espermaticidas são agentes químicos que imobilizam e destroem os
espermatozóides. São encontrados em forma de creme, geléia, pasta,
óvulo e supositório vaginal, tablete, espuma e película solúvel, têm
como principais agentes o nonoxinol-9, o octonol-9 e o menfegol e
devem ser aplicados profundamente na vagina, na quantidade de 60 a
100 mg. No climatério, têm a vantagem de aumentar a lubrificação
vaginal nas mulheres que apresentam secura vaginal.
Atualmente, os preservativos masculinos estão disponíveis em
diversas cores e sabores. Para serem utilizados de maneira
consistente devem ser de aquisição e utilização fáceis. Deve-se
ensinar seu uso correto e mostrar que não afeta a perfomance sexual,
diminuindo assim a ansiedade. O condom de látex pode diminuir a
sensibilidade peniana, podendo reduzir a ereção do usuário. O
preservativo de poliuretano é indicado para aqueles casos de alergia
ao látex, melhorando a sensibilidade peniana, porém é mais fácil de
soltar-se, tornando-o menos eficaz.
O capuz cervical e o preservativo feminino têm sido menos estudados
e não existem dados concretos a respeito destes métodos nessa faixa
etária.
Dispositivo intra-uterino (DIU)
O dispositivo intra-uterino encontrou sua definitiva popularização
na década de 1960. Vários pesquisadores idealizaram modelos os mais
diversos, sendo alguns mais usados. O DIU se mostrou método muito
eficaz, seguro e indicado para muitas mulheres. Em nosso meio, a
procura e seu uso têm aumentado e é imprescindível que o
ginecologista o conheça profundamente em seus mais variados
aspectos. Há vários mecanismos de ação do DIU que podem variar de
acordo com o tipo se medicado ou não(27). A performance do DIU nessa
faixa etária apresenta melhor desempenho, com menores possibilidades
de perfuração, expulsão, remoção, dismenorréia, gravidez ectópica e
doença inflamatória pélvica. O DIU de cobre pode permanecer no local
por longo período, tendo como desvantagem aumentar a quantidade do
fluxo em mulheres com alterações menstruais.
Reinprayoon & Taneepanichskul(23), 1998, estudaram 50 mulheres
climatéricas que utilizaram o DIU TCu 380 por período de pelo menos
36 meses e verificaram que a grande maioria conservou padrão
menstrual regular e que os efeitos adversos mais freqüentes foram
sangramento intermenstrual e dor pélvica. Não ocorreram gestações
nem doença inflamatória pélvica durante o curso da pesquisa.
Concluíram que o uso desse DIU foi seguro e eficaz.
Tabela 2 - Métodos hormonais existentes no Brasil
VIA ORAL
Pílulas combinadas
Pílulas de progestógenos
1. minipílulas
2. anovulatórios de progestógenos
3. contracepção de emergência
VIA PARENTERAL
Via intramuscular
Via vaginal
Via transdérmica
DIU com progestógeno
Implante subdérmico
______________________________________________________
ANTICONCEPÇÃO HORMONAL
A gravidez indesejada continua a ser problema importante. Das quase
seis milhões de gestações que ocorrem a cada ano, cerca da metade é
considerada indesejada e aproximadamente 1,2 milhão termina em
abortamento provocado. Muitas gestações indesejadas ocorrem em
mulheres que fazem uso de alguma forma de anticoncepção,
principalmente da pílula combinada. Estima-se que um milhão de
gestações indesejadas sejam decorrentes do uso da pílula combinada,
causadas por falha do método ou por uso inconsistente ou incorreto,
ou pela descontinuação sem substituição por outro método
efetivo(30). Apesar dos avanços conseguidos na utilização das
pílulas combinadas como a diminuição nas doses do etinilestradiol e
a introdução de novos progestógenos, os problemas decorrentes dessa
metodologia contraceptiva persistem. No Brasil até recentemente
havia poucas alternativas aos contraceptivos hormonais orais, porém,
atualmente, além da via intramuscular, surgiram novas alternativas
que incluem o DIU de levonorgestrel (Mirena®), os combinados de
estrogênio/progestógeno por via vaginal na forma de comprimidos (Lovelle®)
e de anel (NuvaRing®) e o transdérmico (Evra®) e o implante de
progestógeno (Implanon®). A eficácia e a segurança destes métodos
contraceptivos em mulheres no climatério são pouco conhecidas porque
quando um novo método contraceptivo é testado são recrutadas
mulheres de alta fertilidade e sem problemas médicos; por isso
muitos dados são provenientes de estudos com mulheres mais jovens.
Pílulas combinadas
Podem ser utilizadas em mulheres acima dos 35 anos sem outros
fatores de risco para coronariopatias, tais como o tabagismo,
hipertensão e diabetes. É consenso que a pílula combinada a ser
empregada contenha a menor dose de etinilestradiol e o progestógeno
menos androgênico(2). No entanto, os estudos sobre androgenicidade
dos progestógenos são baseados em dados obtidos em roedores e em
ligações a receptores hormonais e, provavelmente, não aplicáveis em
seres humanos. As pílulas combinadas conferem vários benefícios
extracontraceptivos a saber: menstruações regulares, sem cólicas e
em menor quantidade; manutenção da densidade mineral óssea; melhora
do perfil lipoprotéico e proteção contra o câncer de endométrio e de
ovário(2).
A segurança das pílulas combinadas foi confirmada com a publicação
de um seguimento de 25 anos de 23.000 mulheres usuárias comparadas
com controles pareados por idade. Apesar da coorte ser de usuárias
ou de ex-usuárias de pílulas de maior dosagem, não houve aumento
total de mortes nos 10 anos seguintes desde a parada de uso. O
efeito protetor da pílula combinada foi demonstrado na redução de
80% da mortalidade por câncer de ovário. Esta é uma vantagem para as
mulheres que fizeram uso do método nos seus 40 anos. Além do mais,
Michaelsson e cols.(17), 1999, verificaram que mulheres que
utilizaram a pílula combinada até após os 40 anos tinham redução de
30% no risco de fratura de quadril aos 75 anos.
Pílulas de progestógenos
As minipílulas são compostos de progestógenos em baixa dosagem,
menor que a contida nas pílulas combinadas e devem ser administradas
diariamente sem interrupção e sempre no mesmo horário, pois a
eficácia contraceptiva pode ser perdida após 27 horas da última
tomada. A minipílula inibe a ovulação em apenas 60% das vezes e
permite o desenvolvimento folicular e secreção endógena de estradiol,
o que pode ser vantajoso, pois não há a necessidade de repor
estrogênios exógenos, mas há a desvantagem de sangramento uterino
irregular e imprevisível, devido à secreção flutuante de estradiol e
da anovulação, resultante da inibição do pico de LH pela
interferência na retroação positiva dos estrogênios. Em geral, o
tipo de sangramento é de manchas, sendo rara a anemia ferropriva por
sangramento. A minipílula tem boa eficácia nessa faixa etária, sendo
isenta de efeitos cardiovasculares. Sua utilização é restrita aos
casos de intolerância e/ou contra-indicações às pílulas combinadas,
por serem menos eficazes e acarretarem irregularidades menstruais.
A administração do anticoncepcional, contendo 75 mcg de desogestrel
(Cerazette®), causa anovulação em 97% das vezes, tendo maior
eficácia que as as minipílulas. Resultados de trabalhos mostram que
50% das usuárias entram em amenorréia e que o risco de prenhez
ectópica diminui.
Um método anticoncepcional que não pode ser esquecido é a
intercepção. Apesar de poder ser utilizado o DIU e a pílula
combinada em dose mais elevada (método de Yuzpe), atualmente se
emprega o progestógeno levonorgestrel na dose de 750 mcg,
administrado em duas doses, com intervalo de 12 horas. O risco de
gravidez com este método é menor que o do esquema de Yuzpe,
provavelmente por não causar náuseas e vômitos, efeitos colaterais
do etinilestradiol.
Injetáveis mensais
No Brasil são comercializadas três apresentações de injetáveis
mensais: 1-10 mg de enantato de estradiol + 150 mg de acetofenido de
diidroxigesterona: Perlutan®, Uno-ciclo® e Ciclovulon®; 2-5 mg de
cipionato de estradiol + 25 mg de acetato de medroxiprogesterona:
Ciclofem® e 3-5 mg de valerato de estradiol + 50 mg de enantato de
noretisterona: Mesigyna®. Por conter estrogênio natural, elas podem
ser utilizadas com segurança em muitas mulheres nessa faixa de
idade.
Injetável trimestral
O acetato de medroxiprogesterona de depósito (AMPD) na dose de 150
mg administrado a cada três meses é método contraceptivo eficaz e
seguro. Esse anticoncepcional é excelente na fase pré-menopausa,
pois, além da grande eficácia, protege o endométrio do efeito
proliferativo dos estrogênios. Geralmente, acarreta alterações
menstruais para menos que são bem recebidas por essas mulheres, se
bem orientadas. A possibilidade de acarretar aumento do peso e
osteoporose ainda é discutida.
Suposta desvantagem dos injetáveis trimestrais é a grande freqüência
de amenorréia. Glasier e cols.(11), 2003, demonstraram que esta, na
realidade, é vantajosa e bem recebida por grande parte da população
feminina e que os médicos tendem a superestimar tal queixa.
Pílulas vaginais
As pílulas vaginais têm sido estudadas há muito tempo. No Brasil, o
método começou a ser recentemente comercializado (Lovelle®), sendo
seguro e eficaz.
Anel vaginal
O Nuvaring® é um anel de evastane, com diâmetro externo de 54 mm e
espessura de 4 mm. Cada anel contém 2,7 mg de etinilestradiol e 11,7
mg de etonogestrel dispersos uniformemente no núcleo de evastane;
uma membrana de evastane circundante controla a liberação hormonal
do anel. Nuvaring® libera 15 mcg de etinilestradiol e 120 mcg de
etonogestrel por dia.
Adesivos
O Evra® é um adesivo transdérmico de 20 cm2 com três camadas: a
externa, de proteção, a média que contém norelgestromina, o
metabólito ativo do norgestimato e etinilestradiol, e a película
interna que é removida no momento da aplicação. Quando aplicado na
pele o adesivo libera 150 mcg de norelgestromina e 20 mcg de
etinilestradiol. Recomenda-se que seja aplicado um adesivo por
semana durante três semanas consecutivas, seguidos de uma semana sem
o adesivo. Assim, os adesivos podem ser removidos e trocados no
mesmo dia da semana. Em mulheres na menacme, o método é seguro e
eficaz(30).
DIU com progestógeno
O Mirena® foi desenvolvido em 1980, sendo muito eficaz, com índice
de falhas em torno de 0,1 por 100 mulheres/ano e tendo efeito mínimo
no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano com mais de 85% das mulheres
ovulando durante seu uso. O principal efeito deste DIU é a alteração
endometrial(27). O DIU com levonorgestrel é bastante seguro e neutro
em relação ao metabolismo lipoprotéico.
Implante de progestógeno
O Implanon® é um implante contraceptivo que consiste de bastão único
contendo 68 mg de etonogestrel, metabólito ativo do desogestrel e
proporciona eficácia contraceptiva por três anos. Deve-se realizar
técnicas de inserção e remoção apropriadas. Esse implante por não
ser biodegradável deve ser removido após sua duração máxima ou
quando desejado. A inserção é rápida e fácil com efeito
contraceptivo imediato quando inserido entre os dias 1 e 5 do ciclo
menstrual. Apresenta alta eficácia.
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
Considera-se em menopausa a mulher que não menstrua espontaneamente
a pelo menos um ano. Assim há a tendência de não se utilizar método
contraceptivo nessa situação, porém, Gray(12), 1979, observou que
10% de mulheres entre 45 e 50 anos que estavam em amenorréia durante
um ano ovularam e menstruaram. Assim, é recomendável que mulheres
entre os 45 e 50 anos de idade continuem seu método não hormonal por
dois anos e aquelas com mais de 50 anos por mais um ano após sua
última menstruação. Na dúvida é melhor dosar o FSH e o estradiol
para o diagnóstico de hipogonadismo hipergonadotrófico.
Recomenda-se que as mulheres em anticoncepção hormonal suspendam a
utilização do método hormonal aos 50 anos, utilizem método não
hormonal e façam dosagens de FSH em intervalos de três meses. Se as
dosagens forem persistentemente elevadas, a mulher pode suspender a
anticoncepção.
No serviço de Planejamento Familiar da Clínica Ginecológica do
Hospital das Clínicas da FMUSP, nas que utilizam métodos hormonais
com associações estroprogestogênicas e sangram por deprivação,
dosamos o estradiol e o FSH, a partir dos 50 anos, no dia do início
da medicação, isto é, no final do intervalo entre as medicações. Se
o FSH estiver elevado, suspendemos o contraceptivo, assim, com a
pílula combinada à dosagem de FSH é feita no primeiro dia da nova
cartela e com os injetáveis, no dia da próxima dose. Nas que
utilizam progestógenos isolados e estão em amenorréia mantemos a
anticoncepção até os 51 anos de idade. |
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